terça-feira, 26 de julho de 2011

Levantamento mostra que 12 cidades têm alta taxa de mortes no Paraná, Sarandi não figura como mais violenta


O Paraná tem 12 cidades entre os 100 municípios brasileiros de médio e grande porte com taxas muito altas de homicídios cometidos com o uso de armas de fogo. Os números apresentados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) são preliminares e referentes a 2009. 

A relação leva em conta cidades com mais de 10 mil habitantes. O estudo, sobre a incidência do homicídio por arma de fogo no país, foi publicado em maio deste ano, com base nos dados do Ministério da Saúde. 

Das 12 cidades paranaenses que integram o levantamento, oito são da região metropolitana de Curitiba: Campina Grande do Sul, Almirante Tamandaré, Piraquara, Fazenda Rio Grande, Pinhais, Rio Branco do Sul, Colombo e Araucária. 

A Bahia lidera o ranking com 14 municípios, seguida de Pernambuco (13 cidades), Alagoas (12), Pará (12), Paraná e Espírito Santo (10). Segundo a pesquisa, 71,2% dos assassinatos registrados no país em 2009 foram cometidos com armas de fogo. 

No Paraná, o porcentual é um pouco acima da média nacional. Do total de homicídios no estado, 72,4% foram ocasionados por armas de fogo. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul os índices são de 60,6%, 80,1%, 62,2% e 73,7%, respectivamente. Para o sociólogo e estudioso em segurança pública Luís Flávio Sapori, de Minas Gerais, entre as medidas necessárias para reduzir o número de homicídios está a restrição ao acesso a armas de fogo. 

Ele avalia que as campanhas de desarmamento anteriores ajudaram. “Elas evitaram que armas que estavam com um cidadão de bem fossem para as mãos de bandidos”. Hoje a campanha no país é permanente. 

Já o ex-secretário Nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva não acredita que a campanha terá tanto efeito. “O desarmamento quase esgotou as possibilidades durante as duas primeiras campanhas.

Agora não tem tanta adesão”, afirma. Crise da segurança Os motivos para essa crise da segurança pública no Paraná já são conhecidos: falta de efetivo policial, avanço do tráfico de drogas, fronteiras sem fiscalização eficiente, presos em delegacias, má gestão policial e impunidade. 

Apesar desses problemas históricos, os especialistas dizem que há esperança para reverter o quadro. “É possível reduzir. Essa possibilidade exige uma mobilização da sociedade e precisa de uma política de segurança concreta, bem delineada, com gestão técnica, que reduza a impunidade e aumente a capacidade de investigação”, diz Sapori. Para José Vicente da Silva, não há sentido no fato de o Paraná ser mais violento do que São Paulo. “É fruto da má gestão”, critica. Ele avalia que a alta dos homicídios está diretamente ligada à gestão policial. “O Paraná tem uma boa polícia, mas a tecnologia da informação é precária no estado. 

É necessário que toda a gestão da polícia seja compartilhada e que haja respostas imediatas aos homicídios.” Silva acha que os autores dos assassinatos devem ser identificados em até três dias. “Quanto mais vigorosa for a resposta, menos crime teremos”. As medidas citadas pelos especialistas têm o objetivo de reverter a situação atual a curto e médio prazo. 

Segundo Sapori, aumentar a repressão em locais com alta incidência de homicídios é uma medida permanente que surte efeito imediato. “Tem que inibir o poder territorial dos criminosos. Essas medidas são de curto prazo. 

É uma decisão política do governador. Depois, que adote essas ações permanentemente. Não há outra maneira”, diz. “Os criminosos têm que saber que a chance de serem presos é grande”.

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