Deputado do Paraná prende suposto pastor na Câmara

Apresentando-se como pastor evangélico e presidente do Conselho Federal de Teologia, Walter da Silva Filho foi ao Congresso Nacional na terça-feira para sugerir um negócio milionário aos deputados Fernando Francischini (PSDB-PR) e Paulo Freire (PR-SP). A proposta era que os parlamentares o ajudassem a conseguir novos filiados para o órgão. A cada R$ 200 mil arrecadados com a cobrança de uma anuidade individual de R$ 545 (um salário mínimo), R$ 50 mil ficariam com os dois congressistas.

Silva Filho acabou detido em flagrante pelos crimes de corrupção ativa, falsidade ideológica e uso de documento falso. Recebeu voz de prisão de Francischini, que é delegado licenciado da Polícia Federal. Foi direto para a cadeia do Departamento de Polícia Espe­­­cializada da Polícia Civil do Distrito Federal, na qual permanece.

A apresentação da proposta foi filmada pelos deputados no gabinete de Freire. A prisão encerrou uma história que envolve religião e um golpe que pode ter prejudicado milhares de pessoas. Aos parlamentares, Silva Filho afirmou que já havia conseguido mais de 3 mil filiados, mas que precisava de mais ajuda.

O suposto conselho, entretanto, não existe. Silva Filho é, na verdade, terceiro sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro. A principal intenção era se aproximar de Freire, que é filho do presidente da Assembleia de Deus, pastor José Wellington.

O primeiro contato entre os dois ocorreu em julho, no escritório de Freire na capital paulista. Silva Filho disse que estava coletando apoio para conseguir transformar o conselho em uma autarquia federal. Para parecer mais convincente, apresentou uma pilha de documentos.

“A questão é que ele exagerou na dose”, diz o agente Marcos Mariano, da Polícia Legislativa da Câmara, que participou do desdobramento da prisão do bombeiro. Ele chegou até a inventar um personagem, Alberto S. Silva, que seria ao mesmo tempo “ministro extraordinário” do governo federal, “juiz de direito da União” e “corregedor-general” – cargos que também não existem.
O que mais chamou a atenção de Freire foi um documento com supostas assinatura e impressão digital do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. “Tudo parecia muito estranho, ninguém põe digital em um papel desse tipo”, disse o deputado. Foi então que ele decidiu pedir ajuda a Francischini, também parlamentar em primeiro mandato e devoto da Assembleia de Deus.

Francischini enviou o material para a Polícia Federal, que detectou os indícios de falsificação. Na terça-feira, quando o bombeiro voltou a procurar Freire, o deputado paranaense também participou da conversa. “Ele deixou bem claro que os R$ 50 mil oferecidos ficariam para a gente fazer o que quisesse, foi o que motivou a voz de prisão”, afirmou Francischini.
No depoimento à Polícia Legislativa, Silva Filho contou uma história diferente. Disse que propôs a Freire indicar o responsável pelo Conselho Regional de Teologia de São Paulo. Seria esse conselho que ficaria com os 25% e não os deputados.

O bombeiro, no entanto, tropeçou ainda mais nas explicações. Ao contrário dos R$ 200 mil, aos policiais ele falou em R$ 200 milhões.

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