quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Homem invade missa, toma microfone e chama padre de "boneca"

A comunidade de pescadores de Barra Nova, no litoral sul de Alagoas, está inconformada. Há dois meses, a Igreja de São Pedro está fechada e não há previsão de retomada das missas.

A paróquia ficou órfã de padre após uma confusão ocorrida durante uma missa às vésperas do padroeiro da comunidade, São Pedro, no final de junho. Estavam todos assistindo a celebração do padre Raul, que visitava a igreja, quando um homem invadiu o local, tomou o microfone das mãos do religioso durante o sermão e desferiu todo o tipo de acusação e ofensas sem se dar conta de que falava com o padre errado.
O militar da reserva Cícero Costa, pivô da confusão, queria brigar com o padre Marcos, que, até então, era o responsável pela paróquia da Barra Nova.

Quem estava presente ficou estarrecido com a fúria do militar, que também é conhecido com Ciçou. “Achei que ele pegou o microfone para fazer uma homenagem e não para ofender o padre visitante. Ele chegou a dizer que sustentava o padre dando 150 reais por mês e, por isso, ele tinha que fazer uma festa de São Pedro”, conta a professora Graciete da Silva.

Cícero Costa se defende por ter ofendido a pessoa errada, mas não se arrepende do que disse sobre o padre Marcos. “Ele disse que a nossa capela nunca foi a 'Casa de Deus' e que nossa procissão era de 'bonecas'. Aí, eu peguei o microfone e disse: se minha procissão de São Pedro é de boneca, você é boneca duas vezes”, relatou o militar, que ainda acusa o religioso de homofobia. “Ele não gosta de nada! Ele tem raiva de homossexual, negro, da capela, de tudo”, disse.

Depois da baixaria, nem o padre visitante, nem o titular da paróquia reapareceram para celebrar uma missa sequer. O arcebispo de Maceió, Dom Antônio Muniz, diz que não há previsão de retomada das atividades da igreja no povoado e que foi aberto um inquérito policial para apurar o caso.
Agora, quem se diz ameaçado é o militar revoltado. Cícero Costa conta que os moradores o culpam pela “fuga” dos padres.
“Não acho correto todo mundo pagar pelo erro de uma pessoa”, reclama a aposentada Irinete dos Santos.

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