Sem aparelho, médico usa lanterna em cirurgia em hospital



Cansado da falta de estrutura que encontra em alguns hospitais, um cirurgião decidiu postar em uma rede social uma foto em que opera uma menina de 10 anos com a ajuda de uma laterna convencional já que um aparelho de foco cirúrgico, responsável em garantir a visibilidade do local a ser operado, deixou de funcionar durante o procedimento médico. O outro aparelho disponível na sala já não funcionava antes mesmo do início da cirurgia. O problema ocorreu no dia 16 de julho na Santa Casa de Jacareí (SP), que após ver a publicação, rescindiu na última segunda-feira (5) o contrato com o médico que prestava serviço na unidade havia dois anos. A Santa Casa é alvo constante de reclamação de moradores e de funcionários que chegaram a fazer uma greve de quase um mês no fim do ano passado por falta de condições de trabalho. Por meio de nota, a Santa Casa informou que os equipamentos cirúrgicos recebem 'toda a manutenção necessária'. De acordo com o cirurgião pediátrico, Eduardo Capela Galeazzi, a foto não tem como objetivo prejudicar a imagem do hospital, mas expor a situação enfrentada por muitos médicos e cobrar melhores condições no exercício da profissão. “Eu não denunciei, eu expus a situação. Achei aquilo um bom exemplo de que o médico não é o problema. Médico tem, o que não tem é estrutura. A saúde está sucateada porque outros médicos não mostram situações como essa. Se mostrarem, muita coisa pode ficar melhor”, afirmou ao G1. Segundo Galeazzi, a foto foi feita no dia 16 de julho enquanto ele operava uma criança de 10 anos, que sofria de uma apendicite em estado avançado. Ele foi acionado pelo hospital por volta das 21h e recomendou a cirurgia para a paciente. Na sala da cirurgia, havia dois aparelhos de foco cirúrgico, mas o médico afirma que não sabia que um deles já não funcionava. “Comecei a cirurgia com ele, mas quando já estava dentro da cavidade abdominal da criança ele queimou. E aí a assistente de enfermagem me disse que o outro estava queimado e que ia buscar uma lanterna para continuarmos”. Como já havia feito o corte na barriga da criança, o médico afirma que optou por prosseguir a cirurgia, mesmo sem condições ideais. Segundo o médico, a paciente teve boa recuperação e recebeu alta médica dias depois. “Não tinha escolha. Como explicaria para a família que fechei a barriga da criança e não fiz a cirurgia por falta de luz? Não tinha como não prosseguir. Se eu paro, ia colocar ela mais em risco do que operar com a lanterna. Continuei para tirá-la da gravidade em que estava e felizmente não teve problemas”, explicou. Segundo o cirurgião, o uso do foco cirúrgico é essencial para o trabalho durante o procedimento. “Toda cirurgia precisa de uma boa iluminação. Nesse caso, a incisão era de mais ou menos de 3 a 4 centímetros, se não enxergar bem o que está fazendo pode provocar lesões na bexiga, no intestino do paciente. E o foco cirúrgico te dá a visão exata do que está fazendo”.

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