Policial militar é detido por divulgar que prefeito foi furtado

Um policial militar foi preso nesta sexta­feira (30) por vazamento de informações após divulgar o boletim de ocorrência de um furto contra o prefeito de Foz do Iguaçu, Reni Pereira (PSB). O prefeito teve R$ 300 mil em espécie, além de duas armas, furtados da casa de um guarda municipal, que trabalha como seu segurança. O dinheiro, segundo ele, foi obtido em uma ação judicial, e as armas estão registradas. O policial ficou preso durante todo o dia. Já o suspeito de cometer o furto, detido na quinta­feira (29) à noite, foi liberado após o pagamento de fiança e irá responder à acusação de apropriação indébita. "O crime do furto até parece menor perante o crime do vazamento", declarou Pereira à RPC TV, afiliada da Rede Globo, na noite de quinta. "Vazaram criminalmente essa informação, num sentido de um constrangimento político. Mas estão colocando em risco não só a mim, mas à minha família." MOTIVOS Pereira disse que entraria em contato com o comandante da PM em Foz do Iguaçu e com o secretário de Segurança do Paraná para investigar "os motivos que levaram o soldado a vazar" a informação. O prefeito, que é auditor fiscal do Estado, foi eleito em 2012. Antes, foi deputado estadual por três mandatos. Recentemente, sua gestão foi alvo de operação do Gaeco, braço investigativo do Ministério Público, por suspeita de desvios na secretaria municipal de Tecnologia. Pereira não está entre os investigados. Horas depois da entrevista, por volta das 23h, o soldado Sadi Joares Rigon, 30, que divulgou o boletim de ocorrência a um jornal local, foi detido. O jornalista que recebeu a informação foi acionado às 3h da madrugada, para depor no Inquérito Policial Militar.Rigon foi preso por violação de sigilo funcional –crime previsto no Código Penal Militar, e descrito como "revelar fato de que tem ciência em razão do cargo ou função e que deva permanecer em segredo". A PM argumenta que o boletim de ocorrência é um documento de acesso restrito e só pode ser obtido por meio das partes envolvidas. Além disso, como foi elaborado pela Polícia Civil, e não pela PM, o soldado não poderia ter divulgado seu teor. O advogado Jorge da Silva Giulian, que defende o soldado, disse que a prisão é "absurda". "Toda polícia, seja ela Civil, Militar, Rodoviária, passa para a imprensa as notícias, desde que não seja algo em segredo de Justiça ou em investigação. Era um boletim de ocorrência", afirma o defensor. Para ele, o caso "foge à normalidade". "O que diz que isso não pode ser publicado? Não é informação em segredo. O prefeito é a vítima." Rigon só foi liberado após a defesa conseguir um habeas corpus na Justiça Militar. Ele foi solto por volta das 18h desta sexta (30). A Folha não conseguiu contato com Pereira nem com seus assessores para que comentassem o fato.

Comentários

As mais visitadas

CEMEI de Sarandi realiza evento cultural em comemoração ao dia das crianças

Idoso suspeito tocar corpo de criança por R$ 50,00 permanece preso

Semana Jurídica em Sarandi