sábado, 30 de janeiro de 2016

Padre é acusado de fazer sexo com jovem




Mensagens de whatsapp lidas, por acaso, pela mãe de uma jovem de 21 anos levaram a uma descoberta que abalou uma família de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, nesta semana. Um padre religioso da paróquia Santa Rita mantinha um relacionamento amoroso com a jovem. A denúncia foi feita pela mãe da garota ao jornal Diário dos Campos. O nome do padre, que é líder da juventude na igreja, será preservado a pedido da família da garota. A mãe, que não quer ser identificada, conta que na última quarta-feira (27), quando via o celular da filha, percebeu o nome de um padre conhecido na relação de contatos. “Achei estranho, porque era a foto dele, mas não tinha escrito o nome padre, e sim, somente o nome dele. Desconfiei daquela intimidade e abri as mensagens”, relata.

 A mãe diz que sentiu calafrios ao ler mensagem por mensagem. Em uma delas, a filha dizia que tinha viajado a Tibagi e passado em frente ao motel no qual os dois tinham estado. Em seguida, ela manda uma foto pornográfica ao sacerdote, que responde “delícia” à provocação. Quando terminou de ler as mensagens, a mãe da jovem conta que procurou pessoalmente o pároco e, em seguida, o fundador da congregação. Na sexta-feira (29), ela conversou com o bispo dom Sérgio Braschi. “Eu pedi que ele não seja mais padre, porque ele fez voto de castidade, se quiser ter sexo que nunca mais vista uma batina”, frisou. Conforme a mãe da jovem, o que mais a desapontou foi o fato de o padre ser do convívio familiar desde a infância da menina. “Ele era orientador espiritual da minha filha. Viu ela crescer, estava o tempo todo convivendo conosco”, disse. O padre em questão foi ordenado há cerca de quatro anos e atuava com grupos de jovens em toda a comunidade religiosa. Porém, ainda na vivência como seminarista e como participante da paróquia, ele conhecia a família da jovem desde a sua infância. Segundo a mãe da garota, o contato ficou mais intenso desde o ano passado, depois que a filha terminou um relacionamento. A jovem saiu de casa para morar com um namorado, mas se separou e ficou três meses morando na casa da avó, a poucos metros da casa da mãe. A avó da menina, que também conversou com a reportagem, conta que foi a primeira a desconfiar da relação do padre com a jovem. “Eles se encontravam quase todo dia. Um dia, estava chovendo bastante, e eles ficaram horas dentro do carro dele, na frente da minha casa”, conta. A avó relata que foi até o veículo, mesmo na chuva, e quando olhou dentro do carro, os dois estavam bem próximos. “Mandei ela entrar na mesma hora”, recorda.  





Mãe mandou filha embora de casa 


Depois da temporada na casa da avó, a garota voltou a morar na casa da mãe. “Ele sempre ía em casa pegar a minha filha para sair, eu não estranhava, porque minha filha sempre dizia que ela ia trabalhar na igreja”, afirma a mãe. No ano passado, no show do padre Alessandro, no Centro de Eventos, o padre denunciado foi até a casa da jovem para buscá-la e ir ao show. “Ele veio na minha casa por volta das 22h e trouxe minha filha de madrugada. No dia seguinte, eu falei com as minhas amigas do trabalho e elas disseram que o show tinha terminado às 22h. Eu perguntei para minha filha porque ela tinha demorado tanto. Minha filha disse que foi porque eles estavam arrumando as coisas no Centro de Eventos. Não podia imaginar outra coisa”, completa. Após a descoberta do relacionamento entre a filha e o padre, a mãe da jovem a expulsou de casa. “Ela está morando em um convento”, conta. Segundo a avó da menina, apesar disso, ela ainda está se comunicando com o padre. Sobre o perdão ao sacerdote e à filha, a mãe é taxativa: “só quem perdoa é Deus. Eu só quero que ele deixe de ser padre. Não consigo mais olhar para a minha filha, mas não vou desampará-la, tanto que eu já consegui emprego para ela”, diz. Além da jovem que se envolveu com o religioso, a mãe tem mais duas filhas e é divorciada. “Eu cuidei das minhas filhas sozinha, tanto que no dia em que eu achei as mensagens foi porque eu estava procurando uma mensagem do meu ex-marido, que tinha atrasado a pensão. Eu trabalhei em três empregos para sustentar minhas meninas, pense na dor que é para mim ter que mandar uma filha delas embora de casa”, lamenta. 





Superior de congregação lamenta o ocorrido


 O padre Wilton Lopes conversou com o DC na tarde de ontem e disse que lamenta o ocorrido. “Estamos doídos internamente”, resumiu. Ele é o superior da congregação Servos da Misericórdia, da qual o padre denunciado faz parte. O sacerdote falou que o caso é verdadeiro e será apurado. “Será resolvido com a autoridade local. Vamos ver as sanções canônicas que serão aplicadas”, comenta. Padre Wilton frisa ainda que a denúncia é verdadeira. “Tudo o que ela falou é verdade”, considera. O padre envolvido na denúncia foi procurado pela reportagem do DC. Bastante consternado, ele disse que não iria se manifestar. O celibato, que proíbe o casamento de padres, é adotado historicamente pela Igreja Católica. A mãe que fez a denúncia frisa que vai continuar a trabalhar voluntariamente na igreja. “A fé que eu professo é da Igreja Católica Apostólica Romana. Eu vou continuar minha missão”, garante.



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