terça-feira, 13 de setembro de 2016

PF desarticula quadrilha que prometia fraudar urnas eletrônicas


Após mais de um mês de negociações por intermédio de um prefeito da região metropolitana de Porto Alegre, a Polícia Federal (PF) desarticulou, na manhã desta terça-feira, uma quadrilha de criminosos que prometia fraudar urnas eletrônicas nas eleições municipais de 2016. Como não houve indícios de que os criminosos realmente poderiam obter êxito na fraude, a investigação concluiu que as promessas de votos se tratavam de estelionato. Batizada de Operação Clístenes, a ação cumpriu três mandados de prisão preventiva, sendo dois em Brasília, no Distrito Federal, e um em Xangri-lá, no Rio Grande do Sul. Durante a manhã, duas pessoas foram presas nos dois Estados. Um terceiro segue foragido no Distrito Federal. Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira, o delegado Fernando Casarin, chefe da Delegacia de Defesa Institucional da PF, explicou que a denúncia partiu do prefeito de uma cidade gaúcha que não está se candidatando às eleições deste ano. Sua identidade é mantida em sigilo. O político havia sido procurado por uma empresa de Brasília, que possuía um "escritório" no Rio Grande do Sul e afirmava poder interferir no software das urnas eletrônicas para aumentar o número de votos computados.Eles diziam que poderiam inserir um algoritmo ou alterar um código binário da programação da urna eletrônica, através de um contato com a empresa que fornece o software à Justiça Eleitoral. Para isso, pediam um pagamento de acordo com a arrecadação do município. Os valores variavam de local para local — detalhou o delegado. Eles cobrariam até R$5 milhões para, supostamente, fraudar a eleição para prefeito e até R$ 600 mil para mudar votos para vereador. No decorrer das investigações, entretanto, os investigadores começaram a encontrar uma série de incongruências entre o que os criminosos prometiam e o que realmente poderiam fazer: Em primeiro lugar, eles diziam que poderiam fazer a alteração nas urnas por ter um contato na empresa que fornecia o software ao TRE, só que é a própria Justiça Eleitoral quem faz esse software — explicou Casarin. A segunda prova de fraude levantada pela polícia foi o prazo estipulado pelos criminosos para realizar a alteração. Inicialmente, eles alegavam que precisariam do pagamento até um dia específico para fazerem a reprogramação no software antes de as urnas serem carregadas com os nomes dos candidatos.Entretanto, pedimos uma redução no valor, retiramos o prefeito da negociação, continuamos negociando e eles acabaram "esquecendo" deste prazo, como se fosse possível reprogramar depois do período antes estipulado.

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