sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Em delação, empreiteiro diz ter repassado R$ 8 milhões a Lula em dinheiro


Reportagem da revista IstoÉ desta semana aponta que o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse, em acordo de delação premiada dentro da operação Lav Jato, ter repassado R$ 8 milhões em dinheiro vivo, pessoalmente. Segundo a revista, os repasses foram efetuados, em sua maioria, quando Lula não era mais presidente. O maior fluxo ocorreu entre 2012 e 2013. O dinheiro viria do setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – conhecido como “departamento da propina” da empresa. Segundo já revelado pela Polícia Federal, aproximadamente R$ 8 milhões foram transferidos ao petista. Segundo apurou a IstoÉ junto a fontes que tiveram acesso à delação, o dinheiro repassado a Lula em espécie derivou desse montante. Os pagamentos em dinheiro vivo fariam parte do que investigadores costumam classificar de “método clássico” da prática corrupta. Em geral, é uma maneira de evitar registros de entrada, para quem recebe, e de saída, para quem paga, de dinheiro ilegal. O depoimento seria a prova de que, o petista não só esteve presente durante as negociações envolvendo dinheiro sujo como aceitou receber em espécie, talvez acreditando piamente na impunidade, afirma a revista. Além de Marcelo Odebrecht, no corpo da delação da empreiteira Lula seria citado por Emílio Odebrecht, Alexandrino Alencar, ex-executivo da empresa, e o diretor de América Latina e Angola, Luiz Antônio Mameri. Faz parte do pacote de depoimentos relatos sobre uma troca de mensagens eletrônicas entre Mameri e Marcelo Odebrecht. Nessas conversas ficaria clara a participação de Lula para a aprovação de projetos da empreiteira no BNDES. Em seu depoimento, o diretor confirmou as mensagens e disse que as influências de Lula e do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, hoje preso, foram decisivas para a aprovação de projetos definidos exatamente como foram concebidos nas salas da Odebrecht, sem que fossem submetidos a nenhum tipo de checagem. Mameri citou obras em Angola e Cuba.

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