quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Prefeito de Sertanópolis é considerado analfabeto pela Justiça Eleitoral


O prefeito de Sertanópolis (Região Metropolitana de Londrina), Aleocidio Balzanelo (PDT), mais conhecido como Tide Balzanelo, teve o registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral. O candidato à reeleição pela coligação "Sertanópolis em boas mãos" foi considerado analfabeto, o que o torna inelegível. 

Na decisão, o juiz eleitoral Gabriel Gonzalez Vieira destacou que Balzanelo passou por um teste de alfabetização aplicado de acordo com a legislação eleitoral, já que o candidato não apresentou comprovante de escolaridade. A avaliação "demonstrou que o candidato não possui capacidade de compreender o que lhe é perguntado, responder de acordo com este entendimento e de usar a leitura e escrita, não podendo, portanto, ser considerado alfabetizado". 

Em uma das perguntas, Balzanelo teria que mencionar duas competências do prefeito segundo a Lei Orgânica do Município anexada à folha de respostas. "Fico despachando o dia inteiro e também visitando obras. Adiministro (sic) minhas propriedade (sic) com uma equipe escolhida e formada por mim [...]", escreveu o atual prefeito de Sertanópolis. Para o juiz, as respostas demonstraram que o candidato "não consegue correlacionar sua resposta ao grau mínimo de entendimento que se exige de uma pessoa que pretende ocupar cargo de tamanha importância como o de prefeito". Falhas na documentação apresentada pelo PDT também contribuíram para a decisão. 

A candidatura de Edson Pedro Almeida Filho (PSC) ao cargo de vice-prefeito pela mesma chapa também foi indeferida. Assim como o PDT, o juiz apontou que há falhas na documentação relacionada ao PSC. Dessa forma, a situação dos 12 candidatos a vereador pelos dois partidos está pendente na Justiça Eleitoral. 

DEFESA 

A campanha de Balzanelo pode ser realizada normalmente, já que ainda cabe recurso da decisão. Procurado pela reportagem, o prefeito estava em reunião durante a tarde de ontem. Em nota enviada à FOLHA, a advogada Thatiana Maria de Souza, que defende Tide, disse que "recebeu com surpresa e indignação" a decisão da Justiça Eleitoral. 

"Entendemos que a decisão foi equivocada ao passo que o candidato ‘Tide Balzanelo’, embora tenha cursado apenas os anos iniciais do ensino fundamental, possui domínio da leitura e escrita", diz a nota. "Tal comprovação, inclusive, já foi atestada pela própria Justiça Eleitoral em eleições anteriores quando da análise dos pedidos de registro de candidaturas dos mandatos de vereador (duas legislaturas), vice-prefeito (dois mandatos) e prefeito (atual mandato)." 

Os advogados da coligação vão recorrer da decisão no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR).

Professora é afastada de escola após chamar aluno negro de 'macaco


Uma professora do Instituto de Educação Clécia Nanci, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, foi afastada de suas funções após chamar um aluno negro de "macaco" antes do início de uma aula. As informações são da Agência Brasil. Em um vídeo que circula na internet, a professora, irritada com atitudes do jovem de 14 anos, afirma: "você olha para o seu rabo, seu macaco". No momento da ofensa, alunos gravavam o ocorrido, o que possibilitou a divulgação do caso. Segundo a empregada doméstica Ana Paula Silva, mãe do jovem, a confusão começou quando a professora chegou para dar aula e encontrou os alunos jogando uma partida de pingue-pongue. "Eles sempre faziam isso enquanto a professora não chegava. Se não havia começado a aula, qual o problema de eles se distraírem?". De acordo com Ana Paula, a professora já chegou transtornada, gritando com toda a classe. "Meu filho a questionou sobre o motivo daquilo, e ela apenas se preocupou em ofendê-lo e agredi-lo verbalmente, e não em responder à pergunta. A gravação que caiu na internet mostra praticamente só o final da confusão", disse a mãe do estudante. Ana Paula afirmou que a professora pediu perdão e negou ter chamado o menino de macaco. "Ela alegou que estava muito nervosa e me pediu perdão. Eu apenas a questionei dizendo que, se eu desse um soco nela, ela me perdoaria, pois foi assim que me senti. Agredida pela dor do meu filho. Quando disse isso, ela se retirou da sala e se negou a falar comigo novamente." Segundo Ana Paula, o menino está transtornado e tem medo de retornar ao colégio. Ela ainda não sabe se vai retirá-lo dessa escola. "Hoje é feriado em homenagem à emancipação de São Gonçalo, e todo ano há um desfile por conta disso. Ele sempre participou. Adora estar presente, mas hoje ele não foi. Corta meu coração vê-lo assim, acuado, com medo. Ainda mais que o suporte que estou recebendo, seja do colégio, dos professores, do Ministério Público, da polícia, é zero. Ninguém me procurou para nada." A Polícia Civil informou que foi instaurado um procedimento para apurar o crime, qualificado como injúria por preconceito. Outras diligências estão em andamento e a polícia vai ouvir as testemunhas para esclarecer o ocorrido. O caso foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de São Gonçalo. De acordo com a Secretaria do Estado da Educação, a professora foi afastada imediatamente de suas funções e passará a responder a sindicância. A secretaria ressaltou que repudia quaisquer formas de preconceito e discriminação